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12 frases que funcionam com uma pessoa evitativa (e 8 que a afastam)
Nesta dinâmica a linguagem decide quase tudo. O mesmo desejo, duas formulações, e uma abre uma conversa enquanto a outra levanta a ponte levadiça. Aqui tem 12 frases que chegam quando existe apego evitativo, 8 que provocam o afastamento de forma fiável, e a regra com que pode construir as suas.
Os três ingredientes que fazem a diferença
As frases que chegam no apego evitativo têm três partes: dão segurança («gosto de ti»), nomeiam a própria necessidade de forma objetiva em vez de censura, e deixam a decisão à outra pessoa. Quando falta a terceira parte aparece a pressão de ter de responder, e a pressão, no apego evitativo, produz sempre distância.
A base vem de duas abordagens sólidas. Marshall Rosenberg mostrou com a Comunicação Não Violenta como exprimir uma necessidade sem acusação: observação em vez de avaliação, sentimento próprio em vez de censura, pedido em vez de exigência. E Sue Johnson resume a necessidade de vínculo em três perguntas: estás disponível para mim?, respondes quando te procuro?, estás emocionalmente comigo? É exatamente essa sensação básica de segurança que quer criar antes de abrir qualquer tema difícil.
- O convite não violento
- Uma necessidade formulada de maneira a descrever uma opção e não uma fatura. Não «tens de me escrever», mas «ficaria contente por receber uma mensagem tua quando tiveres um bocado». O conteúdo é idêntico, a liberdade de escolher fica com a outra pessoa, e com ela desaparece o reflexo de fuga.
As 12 frases que funcionam
As frases eficazes no apego evitativo mantêm-se na primeira pessoa, nomeiam um sentimento em vez de uma culpa e terminam com um convite aberto. Estas doze cobrem as situações mais frequentes: o silêncio de vários dias, o afastamento depois da proximidade, as perguntas sobre o futuro, a censura de «estás a sufocar-me» e o pedido de um sinal de regresso.
Quando passa dias sem dar sinal
Provoca afastamento
«Há dois dias que não sei nada de ti. Fazes ideia de como isso se sente? Sou-te indiferente?»
Frase 1
«Que bom voltar a ler-te. Dou por mim a sentir que os silêncios longos me custam. Ajudava-me que me avisasses quando precisares de um tempo para ti, assim não fico a dar voltas à cabeça.»
Quando quer mais clareza sobre o futuro
Provoca afastamento
«Afinal o que é que nós somos? Isto não pode continuar assim, preciso que decidas de uma vez.»
Frase 2
«Esta relação é importante para mim e sinto-me bem contigo. Reparo que às vezes gostava de ter um pouco mais de clareza sobre a direção que estamos a tomar. Contas-me noutro momento como vês isto? Sem pressa, só quero ser honesta.»
Quando arrefece logo a seguir a uma boa noite
Provoca afastamento
«Ontem estava tudo perfeito e hoje voltas a estar distante. Afinal o que é que se passa contigo?»
Frase 3
«Ontem foi mesmo bom. Hoje dou-te o teu espaço, escreve quando te apetecer.» E depois faz exatamente isso.
As outras nove frases, para as situações que mais correm mal no dia a dia:
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Quando lhe diz que está a sufocá-lo
«Percebo que agora precisas de muito espaço. Para mim, querer contacto é uma forma de afeto, mas deixo-te o lugar de que precisas.» Nada desmonta essa censura de forma mais fiável do que uma independência tranquila logo a seguir.
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Quando precisa de um sinal de regresso
«Acho bem que precises de tempo para ti. Só preciso de uma frase que me diga mais ou menos quando voltas, assim consigo aguentar bem.» Afastamento com promessa de regresso é a frase-chave desta dinâmica: liga a autonomia dele à sua segurança.
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Quando quer abrir um tema delicado
«Gostava que falássemos com calma esta semana sobre uma coisa que me importa. Nada de dramático. Diz-me tu quando te dá jeito.» O aviso prévio retira o fator surpresa, e deixá-lo escolher o momento devolve-lhe o controlo.
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Quando se refugia no prático
«A organização a gente resolve. Eu ia por outro lado, só quero contar-te como me sinto com isto, não tens de resolver nada.» A última parte é a mais importante: tira-lhe a obrigação de reparar.
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Quando se sentiu magoada
«Quando ontem não respondeste, ativou-se em mim um medo antigo. Isso é meu, não é culpa tua. Conto-te só para saberes o que se passa cá dentro.» Assumir o próprio sentimento alivia a outra pessoa e abre a porta ao mesmo tempo.
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Quando quer proximidade e ele hesita
«Apetecia-me passar uma noite contigo. Se esta semana não der, tudo bem, diz-me tu o que te dá jeito.» Um convite com saída incorporada é aceite bastante mais vezes do que um sem ela.
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Quando minimiza a relação lá para fora
«Quero fazer parte da tua vida, também para as pessoas à tua volta. Isso importa-me mesmo.» Aqui não há nada a suavizar: isto é um limite, não um desejo.
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Quando põe um limite
«Consigo lidar bem com o facto de precisares de distância. O que não funciona para mim são dias de silêncio sem informação nenhuma. Esse é o meu limite, e digo-o com calma e sem ameaças.» Formulado com calma, um limite continua a ser um limite; formulado aos gritos torna-se um ultimato.
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Quando a que está em alarme é você
«Neste momento estou demasiado alterada para esta conversa. Escrevo daqui a duas horas, quando estiver mais clara.» A frase mais eficaz de todas, porque impede que em pleno estado de alarme arruíne as onze anteriores.
As 8 frases que garantem o afastamento
Oito formulações provocam afastamento quase sempre no apego evitativo: as generalizações com «sempre» e «nunca», as perguntas que começam por «porquê» aplicadas a sentimentos, o «temos de falar», os juízos sobre o carácter, os ultimatos, as comparações com outros parceiros, culpar o outro pelo que sente e perguntar pelo estado da relação a meio de um conflito.
| Em vez de | Porque escala | Melhor |
|---|---|---|
| «Afastas-te sempre.» | A generalização transforma um comportamento em identidade, e contra isso qualquer pessoa se defende. | «Reparei que estes últimos dias foram silenciosos.» |
| «Porque é que não consegues falar do que sentes?» | As perguntas pelo porquê de um sentimento não têm resposta possível e geram vergonha. | «Contas-me como é isto para ti? Nem que seja aos bocados.» |
| «Temos de falar.» | Anuncia um exame sem tema e sem duração. Tensão máxima. | «Gostava de falar um bocado sobre X, vinte minutos, nada de dramático.» |
| «És incapaz emocionalmente.» | Juízo de carácter. Confirma precisamente a convicção pela qual ele se fecha. | «Acho que aprendemos a lidar com a proximidade de maneiras diferentes.» |
| «Se não mudares, vou-me embora.» | Os ultimatos forçam uma decisão em estado de alarme, e essa decisão sai contra a proximidade. | «Digo-te o que preciso. O que fazes com isso decides tu.» |
| «O meu ex fazia isto de outra maneira.» | As comparações ativam a defesa, não a motivação. | «Está a faltar-me qualquer coisa. Posso contar-te o quê?» |
| «Tu fazes-me infeliz.» | Torna-o responsável pela sua vida interior, justamente a carga de que ele foge. | «Neste momento não estou a lidar bem com isto. Cuido de mim, mas queria dizer-te.» |
| «O que é que nós somos?» (a meio de uma discussão) | Tema certo, pior momento possível. Em conflito ninguém responde com honestidade a uma pergunta de estatuto. | A mesma pergunta num momento calmo, com um «sem pressa» no fim. |
As duas regras por trás de todas as frases
Com duas regras consegue construir as suas próprias frases. Primeira: «sem pressa» é o par de palavras mais eficaz desta dinâmica, porque diz de forma explícita que por trás não há uma exigência e assim volta a tornar possível a aproximação. Segunda: fique na primeira pessoa. «Temos de trabalhar na nossa relação» gera pressão; «gostava de…» não.
O paradoxo da primeira regra é surpreendentemente estável: quem não se sente obrigado aproxima-se mais vezes por sua iniciativa. E a segunda regra transmite algo que para uma pessoa com apego evitativo é um alívio: eu trato do que sinto, tu podes juntar-te se quiseres.
Não está aqui a aprender a dobrar-se. Está a aprender a língua estrangeira do seu parceiro para que finalmente a oiçam. O Código do Apego Evitativo, capítulo 5
Onde a linguagem deixa de ajudar
Estas frases melhoram as suas hipóteses de ser ouvida, não substituem a disponibilidade do outro. Se durante meses comunicar sem pressão e não voltar nada, o problema não está na forma como o diz. Aí a pergunta muda de sítio: deixa de ser «como é que formulo isto bem?» e passa a ser «do que é que eu preciso, independentemente da resposta dele?».
Nesse ponto o passo seguinte é a sua própria estabilização, não a próxima conversa. Como se faz em concreto está em o guia do contacto zero, que não é uma tática para que ele volte mas uma forma de se recuperar a si. E se preferir primeiro perceber porque é que estas frases produzem efeitos tão diferentes: o apego evitativo explicado.
Importante: este texto é divulgação, não substitui psicoterapia. Se as conversas acabarem habitualmente em desprezo, intimidação ou medo, o problema já não está nas formulações. Procure apoio: SNS 24 pelo 808 24 24 24, Voz de Apoio 225 506 070, linha de apoio a vítimas de violência doméstica 800 202 148. Emergência: 112.
Perguntas frequentes
Isto não é manipulação?
Não, é tradução. O conteúdo continua a ser o mesmo: aquilo de que precisa. O que muda é apenas a embalagem, para que não chegue como exigência e não dispare o sistema de alarme da outra pessoa. Manipular seria esconder um objetivo diferente do que diz. Aqui diz exatamente o que quer, apenas de uma forma que consiga ser ouvida.
Porque tenho de me adaptar eu, se a outra pessoa não faz esforço nenhum?
Porque com isto não abdica de nada, ganha uma coisa: uma resposta em vez de uma escalada. Estas frases não são um desconto nas suas necessidades, são a via para conseguir apresentá-las. E se durante meses exprimir o que precisa de forma clara e sem pressão e não acontecer nada, essa ausência de resposta é precisamente a informação que lhe faltava.
E se não reagir a frase nenhuma?
Então a pergunta mudou de sítio: já não é questão de formulação mas de disponibilidade. Necessidades repetidas, expressas sem pressão e sistematicamente ignoradas, são uma resposta. Nesse ponto, estabilizar-se a si importa mais do que a próxima conversa.
Por escrito ou a falar?
Por escrito tem uma vantagem real no apego evitativo: quem recebe a mensagem pode responder ao seu ritmo, sem a pressão imediata de um olhar. Para pedidos curtos e esclarecimentos, uma mensagem costuma funcionar melhor do que uma conversa. O que é importante e emocional continua a pertencer a uma conversa presencial, só que não improvisada e não a meio do conflito.
Qual é o melhor momento para um tema delicado?
Um momento neutro e sem tensão: nem depois do sexo, nem a meio de uma discussão, nem mesmo antes de dormir. Funciona particularmente bem o movimento, um passeio ou uma viagem de carro. Reduz o contacto visual direto e dá à conversa um enquadramento natural que a limita no tempo.
Estas frases servem também se a pessoa evitativa for eu?
Sim, e algumas ainda mais. As frases 3, 6 e 12 foram pensadas para quem precisa de se retirar: anunciar a distância em vez de desaparecer, pedir um momento concreto e avisar quando é a própria pessoa que está em alarme. Anunciar custa doze palavras e evita quase todo o dano que o silêncio repentino provoca.
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Fontes e leituras recomendadas
- Rosenberg, M. B. (2003): Nonviolent Communication: A Language of Life. Encinitas: PuddleDancer Press. Web
- Johnson, S. (2008): Hold Me Tight: Seven Conversations for a Lifetime of Love. Nova Iorque: Little, Brown. Web
- Mikulincer, M. & Shaver, P. R. (2016): Attachment in Adulthood: Structure, Dynamics, and Change. 2.ª ed. Nova Iorque: Guilford Press. Web
- Tatkin, S. (2011): Wired for Love. Oakland: New Harbinger.
- Levine, A. & Heller, R. (2010): Attached: The New Science of Adult Attachment. Nova Iorque: Tarcher/Penguin. Web