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As pessoas evitativas voltam? A resposta honesta

Por Elias FreiAtualizado em 4 de agosto de 202610 min de leitura

É a pergunta mais procurada do tema, e quase sempre é respondida com números que ninguém mediu. Não existe nenhum estudo sobre taxas de regresso por estilo de apego, portanto qualquer percentagem que leia é decoração. O que se pode dizer, em terreno firme, é porque o regresso chega tantas vezes tarde, o que costuma desencadeá-lo, e como saber se significa alguma coisa.

A resposta honesta

Em resumo

Muitas pessoas com apego evitativo voltam a dar sinal, e costuma acontecer mais tarde do que se espera, em meses e não em semanas. O regresso diz algo sobre a força da memória, não sobre uma mudança de capacidade. Se leva a algum lado depende de uma coisa só: se essa pessoa fez alguma coisa com o padrão entretanto.

Convém separar duas perguntas que se misturam constantemente. «Ele volta?» é sobre contacto. «Vai ser diferente?» é sobre capacidade. A primeira acontece muitas vezes. A segunda acontece poucas, e nunca de forma automática.

Porque o silêncio é alívio no início

Em resumo

Logo após uma separação, as pessoas com apego evitativo descrevem bastante menos sofrimento do que as outras, às vezes alívio. Dentro da relação, o peso para elas era a proximidade, não a distância. Quando termina, o que termina para elas é a pressão. Essa calma inicial é um efeito de regulação, não uma medida de quanto a relação importou.

Esta é a fase que mais estraga quem fica. Você mal funciona; ele parece estar a ter um bom mês. A assimetria parece um veredicto sobre toda a relação, e não é. Duas pessoas podem valorizar igualmente a mesma relação e reagir de forma completamente diferente ao seu fim.

O luto adiado

Em resumo

A supressão aguenta enquanto nada lhe for acrescentado. Os estudos sobre supressão de pensamentos mostram que as pessoas com apego evitativo afastam de forma invulgarmente eficaz o material ligado à separação, mas que o efeito quebra sob carga adicional. Quando chega um novo stress, o afastado volta, e volta com a frescura que tinha quando foi enterrado.

É esse o mecanismo por trás do calendário clássico. Não às duas semanas, mas aos três meses. Não na fase estável, mas quando algo na vida dele se desequilibra: um trabalho que corre mal, uma doença, uma relação nova que falha.

A consequência é desconfortável: o momento em que lhe chega a ele costuma estar muito atrás do momento em que você seguiu em frente. Passam pela mesma separação em tempos diferentes.

Só se sente falta do que já não está. Os evitativos não esquecem, reprimem, e a repressão tem prazo de validade. O Código do Apego Evitativo, FAQ 2

Migalha ou sinal real?

Em resumo

Uma migalha é um contacto que não custa nada: uma reação a uma story, um «estava a pensar em ti» de madrugada, uma pergunta por uma camisola esquecida. Um sinal real custa alguma coisa: nomeia o que aconteceu, toma posição e sobrevive a uma resposta direta. O teste fiável é o que acontece quando responde com calma e pede clareza.

Como distinguir contacto de baixo custo de um sinal real
MigalhaSinal real
Reage a uma story, sem palavrasEscreve uma mensagem que nomeia a separação
Chega de madrugada ou depois de beberChega sóbrio e a uma hora normal
Não pede nada e não oferece nadaPede algo concreto: uma chamada, um encontro
Desaparece quando responde diretamenteFica na conversa quando fica concreta
Repete-se a cada poucas semanas igualAcontece uma vez e depois avança
Fala de ter saudadesFala do que percebeu e do que fez

Não precisa de adivinhar qual das duas tem à frente. Uma resposta calma e clara resolve mais depressa do que uma semana de análise: «Fico contente por saber de ti. Se quiseres falar a sério, esta semana consigo ligar». Um sinal real aceita. Uma migalha fica calada.

Como se reconhece uma mudança real

Em resumo

A mudança real vê-se em comportamentos que já aconteceram, não em promessas sobre o futuro. Os marcadores: consegue descrever o padrão sozinho e sem que lhe puxem por isso, deu um passo concreto como terapia por iniciativa própria, volta durante a dificuldade e não depois, e as retiradas mais curtas terminam com uma explicação em vez de silêncio.

  • Nomeia-o antes de si. Quem diz «arrefeço quando nos aproximamos, e fiz-te isso» já fez um trabalho que você não teve de forçar.
  • Há um passo, não uma intenção. Marcado, começado, a decorrer. «Ando para procurar alguém» costuma ser verdade há anos.
  • As retiradas encurtam. O padrão não desaparece. Passa a três dias em vez de três semanas, e termina com uma frase em vez de com um reaparecimento.
  • Volta durante a dificuldade. Voltar depois da tempestade é o padrão antigo. Continuar acessível dentro dela é o novo.
  • Aguenta uma conversa direta. Não dez. Uma, sem piada e sem mudança de assunto.

Repare no que falta nessa lista: a intensidade. Uma avalanche de carinho na primeira semana de volta é o sinal menos informativo que existe, porque essa semana ainda não contém compromisso nenhum. Avalie pela semana oito.

E se nunca voltar

Em resumo

É um desfecho real e é preciso nomeá-lo. Algumas pessoas não voltam nunca, e não porque você fosse pouco, mas porque a supressão lhes funcionou o suficiente para não terem de rever nada. Não voltar não diz nada sobre o seu valor. Diz que o sistema dele encontrou uma saída mais barata do que olhar para dentro.

O difícil dessa versão não é a ausência, é a falta de fecho. Não há conversa final, nem explicação, nem um ponto em que algo termine oficialmente. O luto tem de ser feito sem esse ponto, e por isso costuma durar mais do que depois de uma separação falada.

O que ajuda é deixar de tratar o fecho como algo que ele tem de lhe entregar. Pode escrever a carta que nunca vai enviar, contar tudo a uma amiga, ou marcar uma data a partir da qual deixa de considerar a história em aberto. Nenhuma das três é satisfatória. As três funcionam melhor do que esperar.

A pergunta que serve mais

Em resumo

«Ele volta?» põe a sua vida num temporizador que não controla. A pergunta que mexe mesmo é outra: o que teria de ser verdade para você dizer que sim, se ele voltasse? Respondê-la dá-lhe critérios com antecedência, e assim a decisão não é tomada pela emoção de uma mensagem às onze da noite.

Escreva três condições enquanto está calma. Não desejos, condições: coisas que tenham de ter acontecido de forma visível. Assim a mensagem que volta torna-se uma comparação em vez de uma saudade, e saberá numa única conversa se vale a pena continuar.

Se a resposta honesta for que neste momento nada seria suficiente, isso também é uma resposta, e é legítima.

Importante: esperar tem um custo que nenhum regresso compensa. Se há meses da sua vida em pausa por uma mensagem, o problema a resolver não é o calendário dele mas a sua suspensão. Se a sua situação lhe está mesmo a pesar, fale com um profissional. Em crise: SNS 24 pelo 808 24 24 24 e Voz de Apoio 225 506 070. Emergência: 112.

Perguntas frequentes

Que percentagem de pessoas evitativas volta?

Ninguém sabe, e qualquer número concreto que encontre na internet é inventado. Não existe nenhum estudo que acompanhe taxas de regresso por estilo de apego. O que a investigação apoia é o mecanismo: a supressão funciona até chegar stress adicional, e por isso o contacto é retomado tantas vezes meses depois e não semanas depois.

Porque escreve depois de meses de nada?

Porque a supressão funcionava e deixou de funcionar. As pessoas com apego evitativo afastam eficazmente os pensamentos ligados à separação enquanto não houver carga extra. Quando algo mais na vida delas corre mal, o que foi afastado volta, e a memória parece fresca embora tenham passado meses.

Uma mensagem de volta significa que ele mudou?

Por si só, não. Contacto e mudança são coisas diferentes. Uma mensagem prova que está na cabeça dele, não que algo na capacidade dele para a proximidade seja diferente. A prova da mudança é comportamental e aparece depois do regresso, não nele.

O que é uma migalha?

Contacto de baixo custo que mantém a ligação sem mudar nada: uma reação a uma story, um «estava a pensar em ti» à meia-noite, uma pergunta por algo que ficou em sua casa. Não pede nada e não oferece nada. O teste é se sobrevive a uma resposta direta e calma que exija uma decisão.

Devo responder?

Se lhe apetecer, sim, uma vez, breve e sem reabrir tudo de uma vez. O que a protege não é o silêncio, é não decidir o seu futuro nos primeiros dez minutos. Uma mensagem que volta merece uma resposta; não merece uma restauração imediata da relação.

O contacto zero faz com que ele volte?

Não é uma alavanca, e usá-lo como tal costuma correr mal porque a espera se torna insuportável. A distância retira de facto a pressão que alimentava a desativação, por isso um regresso é mais provável do que sob perseguição. Mas isso é um efeito secundário, não uma finalidade.

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Fontes e leituras recomendadas
  1. Fraley, R. C. & Shaver, P. R. (1997): Adult Attachment and the Suppression of Unwanted Thoughts. Journal of Personality and Social Psychology, 73(5), 1080–1091. DOI
  2. Mikulincer, M., Dolev, T. & Shaver, P. R. (2004): Attachment-Related Strategies during Thought Suppression. Journal of Personality and Social Psychology, 87(6), 940–956.
  3. Davis, D., Shaver, P. R. & Vernon, M. L. (2003): Physical, Emotional, and Behavioral Reactions to Breaking Up. Personality and Social Psychology Bulletin, 29(7), 871–884.
  4. Diamond, L. M., Hicks, A. M. & Otter-Henderson, K. (2006): Physiological Evidence for Repressive Coping among Avoidantly Attached Adults. Journal of Social and Personal Relationships, 23(2), 205–229.
  5. Mikulincer, M. & Shaver, P. R. (2016): Attachment in Adulthood: Structure, Dynamics, and Change. 2ª ed. New York: Guilford Press. Web